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Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

20.Ago.07

LASERS CONTRA O CANCRO DA PELE

 

O cancro da pele é certamente um dos temas que preenchem cada vez mais a actualidade, particularmente em época de férias.

Já todos conhecemos os inúmeros avisos de cuidado com o sol, que se estendem desde evitar a exposição solar nos períodos ditos críticos até ao uso de protecção solar...

O que é também certo é que os números são cada vez mais alarmantes e este é um cancro que se instalou numa sociedade que cultiva e louva o bronze e que, por isso, veio para ficar.

Perante esta realidade procuram-se novas formas de tratar esta doença.

Um dos tratamentos inovadores para o cancro de pele está relacionado com o efeito fotoquímico proporcionado pela radiação laser.

Na verdade, começa por se definirem as células cancerígenas como células-alvo da nossa radiação. Posteriormente, terá de se escolher uma substância - o fotossensibilizante - que é absorvida preferencialmente pelos tecidos que nos interessa destruir (os cancerígenos). Esse fotossensibilizante só é activado por radiação laser com um comprimento de onda específico e conhecido.

Uma vez administrado o fotossensibilizante fazem-se incidir os raios laser e estes activam a substância que destrói os tecidos que estão em proliferação celular descontrolada (ou seja, os tecidos cancerígenos).

Esta técnica aparece como mais uma esperança nesta luta contra o cancro da pele que parece não dar tréguas! De qualquer das formas, a medida principal é sempre a prevenção: por isso, este Verão, mais uma vez, proteja-se do SOL!

 

11.Ago.07

O CORPO HUMANO - COMO NUNCA O VIU (EXPOSIÇÃO)

Apaixonante! Este seria, certamente, o adjectivo que eu escolheria para (tentar) decrever a exposição "O Corpo Humano - Como nunca o viu".

Para quem a possa encarar como uma lição anatómica, demasiado aprofundada para estar acessível ao comum dos mortais... desengane-se.

A exposição alarga-nos os horizontes de uma forma verdadeiramente deslumbrante. Leva-nos muito além daquela concepção do senso comum que valoriza a alma em detrimento do corpo e sobretudo afasta para terras longínquas a ideia de que um corpo inanimado, não é mais do que isso. Cada um daqueles corpos exalavam o odor da vida, em todo o seu esplendor e no auge da sua actividade.

Extraordinário é também o laço obrigatório e natural que nos une a esta exposição. Quando visitamos um museu histórico (não menos interessante) podemos desenvolver um íntimo interessa pela variedade de peças, relíquias, acessórios expostos, o que é certo é que eles pertencem a um determinado contexto temporal e espacial, que não o nosso. Pelo que o único elo de ligação entre nós e a exposição é o interesse que ela nos desperta. Nesta exposição, porém, o elo de ligação é muito mais íntima, chegando a um ponto visceral. Há uma identificação extrema entre nós - observadores da exposição - e os objectos da nossa própria observação (que poderíamos ser nós mesmos). O nosso corpo exposto, como nunca o vimos. O nosso corpo. Essa magnífica obra de arte, que por um lado nos assegura a diferença, desde a expressão do rosto, à altura, ao tamanho dos órgãos e ao estado dos mesmos, e que por outro nos torna todos iguais, assegurando um ténue fio comum a todos os visitantes - nós mesmos e o nosso corpo.

Em termos mais pragmáticos, a exposição está bem organizada e direccionada, já que nos permite ver tudo, de forma faseada... começando no sistema esquelético, depois o muscular e depois os vários sistemas de órgãos. Curiosidades interessantes ao longo de toda a exposição e muita informação acessível mesmos aos leigos.

Verdadeiramente deslumbrante esta oportunidade imperdível de explorar o nosso próprio mudo interno, o nosso próprio corpo!

07.Ago.07

ARTROSES

As doenças reumáticas são habitual tema de conversa e, sobretudo, de queixa entre as pessoas, particularmente as idosas.

Entre os vários tipos de doenças reumáticas, podem isolar-se as doenças articulares, ou seja, aquelas que afectam as articulações, como por exemplo as artroses e as artrites.

Enquanto que as artrites são doenças inflamatórias das articulações, as artroses são doenças degenerativas das mesmas, através de processos mecânicos, afectando particularmente a cartilagem e destruindo-a. Estas últimas caracterizam-se por uma progressiva perda da força, o que vai influenciar negativamente a qualidade de vida destes pacientes.

Como principais sintomas das artroses figuram a dor articular de características mecânicas (o que significa que a dor melhora com o repouso e com a inactividade das articulações afectadas), a rigidez das articulações, o inchaço ou a deformação destas.

A terapêutica visa apenas o alívio da dor e o atraso da evolução natural da doença, já que as deformações e a destruição da cartilagem cometidas são irreversíveis. As artroses surgem sobretudo na mão (articulações interfalângicas distais e da raiz do 1.º dedo, comprometendo esta a oponência dos dedos), pé (particularmente no 1.ºdedo), joelho, anca e coluna vertebral.

A faixa etária mais vitimizada por esta doença situa-se acima dos 60 anos de idade, no entanto, como factores de risco podem também considerar-se (em pessoas bastante mais jovens) determinadas profissões (de gestos mecanizados e repetidos), acidentes e traumatismos articulares,...

Nos casos de artrose primitiva é desconhecida a causa da doença. No entanto, na maioria dos casos a causa parece estar relacionada com doenças metabólicas ou endócrinas, factores hereditários, mas também com situações passíveis de serem alteradas como a obesidade ou o sedentarismo.

É, por isso, importante o desenvolvimento de campanhas de prevenção que estimulem a prática regular de actividade física e os cuidados com a alimentação e o excesso de peso.

 

05.Ago.07

PEIXES-ZEBRA NA CURA PARA A CEGUEIRA

 

Os peixes-zebra possuem uma rara capacidade para regenerar as suas retinas quando estão danificadas. Ao estudar esta característica, uma equipa de cientistas do Reino Unido acredita agora que poderá vir a desenvolver tratamentos experimentais para tratar a cegueira dentro de cinco anos.

Os investigadores afirmam que conseguiram fazer crescer, em laboratório, células que se encontram tanto nos olhos dos peixes como nos dos mamíferos e que podem ser aplicadas para regenerar a retina.

As denominadas células “Müller” foram também analisadas em olhos de pessoas, dos 18 aos 91 anos. Neste caso, os cientistas descobriram que este tipo de células se consegue desenvolver noutras células que se encontram na retina.

 Os investigadores já fizeram transplantes em ratos, que se vieram a revelar muito positivos, o que os leva a acreditar que o mesmo poderá vir a ser feito em humanos, para tratar doênças oftálmicas, como o glaucoma, cegueira derivada da diabetes, etc..

Astrid Limb, responsável pelo estudo realizado pelo Instituto Oftalmológico da University College London, diz que no futuro «poderemos ter bancos de células destas para a população em geral, tal como acontece hoje com os bancos para transfusões de sangue».

A ajuda dos peixes-zebra dever-se-à ao facto de estes animais possuirem muitas destas células, que são raras em mamíferos.

02.Ago.07

SÍNDROME DO CÓLON IRRITÁVEL

É um conjunto de manifestações gastro-intestinais crónicas ou recorrentes não associadas a qualquer alteração bioquímica ou estrutural conhecida até hoje. O número de pessoas afectadas alcança entre 10 a 20% da população em países europeus ou nos Estados Unidos. Entre os que procuram atendimento médico, a maioria são mulheres, geralmente no final da adolescência ou antes dos 30 anos.

A causa da Síndrome do Cólon Irritável (SCI) não é bem conhecida e, portanto, não se sabe como, a partir de um certo momento, uma pessoa passa a apresentar os sintomas. Acredita-se que alterações nos movimentos do músculo liso que fazem o alimento descer desde a boca até o ânus e nos estímulos eléctricos responsáveis por esse movimento intestinal, estejam envolvidos. Já se observou, também, que indivíduos com Síndrome do Intestino Irritável, têm um limiar menor para dor proveniente da distensão intestinal, ou seja, menores volumes de gás ou fezes dentro do intestino são capazes de gerar uma sensação, interpretada pelos pacientes como dor, enquanto que indivíduos sem a síndrome provavelmente não seriam perturbados por estímulos semelhantes. Alterações psicológicas como depressão, ansiedade e estados de stress são mais frequentes em pacientes com Síndrome do Intestino Irritável.

Os principais sintomas são dor e distensão abdominal, associados a um aumento da frequência diária de evacuações e amolecimento das fezes. Períodos sintomáticos podem alternar com períodos assintomáticos de até vários anos, mas que, por fim, tendem a recorrer. A dor geralmente é do tipo cólica, intermitente e mais localizada na porção inferior do abdómen. Costuma aliviar com a evacuação e piorar com o stress ou nas primeiras horas após as refeições.

As fezes, na maioria dos pacientes, são diarreicas (amolecidas ou aquosas) podendo conter muco. Outros pacientes queixam-se de obstipação (evacuam menos do que o habitual ou menos de uma vez por semana).

São, também, sintomas comuns em pacientes com Síndrome do Cólon Irritável: distensão abdominal ou sensação de inchaço, alternância entre períodos de diarreia e obstipação, flatulência excessiva, sensação de esvaziamento incompleto após a evacuação.

O diagnóstico é feito com base nos sintomas apresentados pelo paciente. Geralmente, o médico solicita exames gerais de sangue e de fezes capazes de detectar as parasitoses mais frequentes. Esses exames não têm a intenção de confirmar o diagnóstico de Síndrome do Intestino Irritável, e sim, de afastar outras causas de sintomas semelhantes, já que não há exame capaz de comprovar o diagnóstico de SCI. Em indivíduos com início dos sintomas após os 40 anos e naqueles com história familiar de cancro do cólon e recto (CCR), uma avaliação através de colonoscopia é indicada para afastar essa possibilidade.

A presença de febre, sangramento, anemia, perda de peso, sintomas durante a noite e diarreia de grande volume e frequência não são características da SCI e devem desencadear a investigação de outra causa.

O conhecimento de que se trata de uma doença de evolução benigna e que não acarreta ou progride para nenhuma outra circunstância mais grave é um passo muito importante, capaz de, por si só, tranquilizar e fazer com que os sintomas sejam melhor tolerados.

Uma dieta rica em fibras costuma ser útil em pacientes com queixa de obstipação, e o melhor trânsito intestinal pode ajudar pacientes cuja queixa é flatulência excessiva. Certos alimentos são mal tolerados pelos pacientes com SCI, como alguns vegetais como feijão, repolho, couve-flor, cebola crua, uva e ameixa. Vinho, cerveja e alimentos ou bebidas com cafeína (café, chá, etc) também podem ser mal tolerados.

Em alguns casos, usa-se ainda terapêutica específica para os sintomas mais inconvenientes (diarreia, obstipação, dor abdominal) ou medicação antidepressiva.

Concluindo, é importante salientar que apesar de afectar a qualidade de vida dos pacinetes, a Síndrome do Cólon Irritável é crónica, recorrente e benigna, não evoluindo para cancro colo-rectal, e não há um tratamento completamente apropriado ou eficaz.